Julho 2010
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
       
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31



Videos






O FESTIVAL


O “Festival de Inverno de Música Erudita, Artes Cênicas e Visuais de Ouro Preto e Mariana” é um importante espaço aberto para evidenciar o debate das questões patrimoniais e culturais das cidades históricas de Ouro Preto e Mariana. Mais conhecido como “Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes” congrega uma série de atividades propostas pelas curadorias nas áreas da música, literatura, patrimônios cultural e natural e nas artes cênicas, plásticas e visuais. Este encontro da cultura popular e acadêmica, que ocorre há quase 50 anos, foi retomado em 2004 pela Universidade Federal de Ouro Preto em parceria com a Fundação Educativa de Rádio e Televisão Ouro Preto e as prefeituras dos municípios de Ouro Preto e Mariana.

Focado na visão da extensão universitária, o Festival tem uma preocupação especial com as comunidades locais. Compreendido como uma forma de concretização das manifestações culturais, abre à população e a visitantes diversas possibilidades de encontro, descobertas, conhecimento e intercâmbio, tendo como pano de fundo os patrimônios material e imaterial. Para o ano de 2010, o eixo temático escolhido por meio de uma consulta popular é “as múltiplas cores da arte” tendo como principal homenageado “Mestre Ataíde”. No período de 8 a 25 de julho, filmes, peças teatrais, oficinas, shows e espetáculos vão formar um panótipo das práticas artísticas realizadas nas diversas regiões brasileiras e também de outras partes do mundo.

A cada ano o Festival de Inverno se firma como campo de exposição, debate, resgate e preservação de valores caros à nossa sociedade. Todas as atividades circulam em torno de um eixo temático que incorpora as peculiaridades regionais, as inovações em todo o país e os ecos de propagação internacionais. O caráter artístico e educacional valoriza o espírito coletivo e garante a continuidade do processo de repensar práticas salvaguardando a perenização das bases que constituem a sociedade, seus valores e a continuidade de sua história.


MESTRE ATAÍDE: TRAÇOS E CORES DO NOSSO TEMPO

Séculos passados e arte eternizada em traços ultrapassam os limites do tempo e espaço. Com imagens marcadas pelo celestial azul e o caloroso vermelho, Manoel da Costa Ataíde transcendeu o teto de importantes templos do séc. XVIII ligando a religiosidade cristã e a representação artística da fé. O senhor das policromias nasceu na cidade Mariana em 1762, apenas 3 anos antes do início das obras daquela que seria a maior representação de sua arte, a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Em parceira com Aleijadinho, foi o responsável pela pintura e o douramento do forro, retábulos e laterais deste e de diversos outros templos e espaços de referências artísticas. Além dela também deixou sua marca inconfundível em mais de 15 igrejas em diversas cidades mineiras.

Mestre em sua arte, é considerado predecessor do Impressionismo brasileiro. Evangelizador, idealizou a criação da Escola de Desenho e Pintura em Mariana com o pleito feito diretamente ao imperador D. João VI. Mesmo com sua importância reafirmada, a primeira escola de artes em Minas foi instalada apenas em 1886, como o Liceu de Artes e Ofício de Ouro Preto, pelo pintor mineiro Honório Esteves. Tempos mais tarde, nesse mesmo espaço, foi criado o Cine Teatro Vila Rica, hoje de responsabilidade da Universidade Federal de Ouro Preto. Transcendendo as marcas temporais, Ataíde buscou nas gravuras dos modelos das Bíblias e catecismos europeus de Jean-Louis Demarne e Francesco Bartolozzi suas referências para a representação do firmamento.
Além da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, Mestre Ataíde também deixou suas marcas na Matriz de Santo Antônio, na cidade de Santa Bárbara (1806), Matriz de Santo Antônio, na cidade de Itaverava (1811), e na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Mariana (1823). De 1781 a 1818, trabalhou as cores e douramentos das imagens talhadas para o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo. Uma das últimas obras que se tem notícia é o painel da Última Ceia (1828), guardado no Colégio do Caraça.

Com seus aspectos históricos, estéticos e contextuais, Ataíde se firma como mestre da arte transcendendo os espaços ilustrados por ele e servindo de inspiração para outras áreas da arte. A pintura ilusionista leva ao apogeu a experimentação artística mineira fazendo com que o ciclo do ouro hora finalizado se revertesse em um novo ciclo, valorizado ainda hoje como os traços e cores do nosso tempo.